sexta-feira, agosto 22, 2008

Um mundo catita - for sale

Um Mundo Catita é uma série protagonizada por Manuel João Vieira (vocalista dos Ena Pá 2000, dos Irmãos Catita, ex-candidato à Presidência da República) entre outros que AINDA NÃO FOI COMPRADA POR NENHUM CANAL.

Podem ver o teaser no site da série, em cuja banda sonora figura a bela e inocente canção do filme "Música no Coração", "My fovorite things" - versão MJV.




O Correio da Manhã, citado no blog TV Dependente, diz o seguinte:

A série de seis episódios de ‘Mundo Catita’ – misto de humor negro com conto natalício protagonizada por Manuel João Vieira, líder dos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita, a fazer dele próprio e também de Pai Natal – aguarda que algum canal de televisão a compre.

Irónico, o cantor, actor e artista plástico diz ao CM: “Não sei quem se interessará. Estamos à espera de ser contactados, talvez por um canal por cabo do Luxemburgo, Galiza ou, quem sabe, da Guiné Conacri.”

A antestreia dos seis episódios de ‘Mundo Catita’ teve lugar anteontem no cinema S. Jorge, em Lisboa, com a presença dos actores e dos realizadores Filipe Melo (professor de jazz no Hot Club) e João Leitão. O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, foi cumprimentar o protagonista e assistir à exibição.

Manuel Vieira apresenta a obra: “Acho que é uma história engraçada de Natal. Dava um filme bom daqueles para ver ao domingo com toda a família. Tem alguns pormenores para adultos, mas são apenas condimentos.”

De certa maneira, “no filme, e de uma maneira tortuosa, sou uma espécie de Pai Natal, mas que dá prendas a si próprio. Sou um Pai Natal com alguma auto-estima”, explica. Ao engenheiro Sócrates, o Pai Natal Vieira dava “um lugar de primeiro-ministro... na Nova Zelândia, um local engraçado”, revela.

“O que gostaria, depois desta última lei que surgiu para limitar os partidos mais pequenos, era limitarmos tudo a um único partido. É para lá que caminhamos. Ou seja, o sistema caminha, não diria para o fascismo, mas para um regime que limita seriamente as liberdades individuais, sobretudo as liberdades de quem tem menos dinheiro”, diz Vieira.

“Gostava de salientar ainda um pormenor acerca do fascismo higiénico. A polícia da ASAE [Autoridade de Segurança Alimentar e Económica] fechou A Ginginha do Rossio, uma instituição cultural portuguesa. Existem, assim, sinais perturbadores de que este país vai deixar de ser Portugal. Não é o Brasil a tornar-se um imenso Portugal, mas Portugal a tornar-se um pequeno Brasil.”

Sobre este seu papel como actor, Vieira comenta: “Foi complicado fazer um personagem que era suposto ser eu próprio. Basicamente fiz aquilo que me pagaram para fazer.” Só que, ironiza, “pagaram-me muito mal...” Enaltece ainda o facto de “ter havido testículos para produzir uma coisa destas sem rede, sem esperanças de apoio ou de venda”.

A série é uma produção independente da Individeos e O Pato Profissional, Lda. apoiada pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual.

Filomena Galacho (in
Correio da Manhã)

terça-feira, agosto 19, 2008

Non stop...

Graças à pessoa de sempre, descobri mais um grupo fantástico, e pronto, estou viciada nos Deolinda.

Agora estou a ver onde e quando vou a um concerto, porque de certeza que isto deve ser o máximo ao vivo...

Olhem, fon fon fon...!




Fon Fon Fon

Olha a banda filarmónica,
a tocar na minha rua.
Vai na banda o meu amor
a soprar na sua tuba.
Ele já tocou trombone,
clarinete e ferrinhos,
só lhe falta o meu nome
suspirado aos meus ouvidos.

Toda a gente - fon-fon-fon -
só desdizem o que eu digo:
"...Que a tuba - fon-fon-fon -
tem tão pouco romantismo..."
Mas ele toca - fon-fon-fon -
e o meu coração rendido
só responde - fon-fon-fon -
com ternura e carinho.

Os meus pais já me disseram:
"Ó Filha, não sejas louca!
As Variações de Goldberg
p'lo Glenn Gould é que são boas!"
Mas a música erudita
não faz grande efeito em mim:
do CCB, gosto da vista;
da Gulbenkian, o jardim.

Toda a gente - fon-fon-fon -
só desdizem o que eu digo:
"... Que a tuba - fon-fon-fon -
tem tão pouco romantismo..."
Mas ele toca - fon-fon-fon -
e cá dentro soam sinos!
No meu peito - fon-fon-fon -
a tuba é que me dá ritmo.

Gozam as minhas amigas
com o meu gosto musical
que a cena é "electroacústica"
e a moda a "experimental"...
E nem me falem do rock,
dos samplers e discotecas,
não entendo o hip-hop,
e o que é top é uma seca!

Toda a gente - fon-fon-fon -
só desdizem o que eu digo:
"... Que a tuba - fon-fon-fon -
tem tão pouco romantismo..."
Mas ele toca - fon-fon-fon -
e, às vezes, não me domino.
Mando todos - fon-fon-fon -
que ele vai é ficar comigo!

Mas ele só toca a tuba
e quando a tuba não toca,
dizem que ele continua;
que em vez de beijar, ele sopra...

Toda a gente - fon-fon-fon -
só desdizem o que eu digo:
"... Que a tuba - fon-fon-fon -
tem tão pouco romantismo..."
Mas ele toca - fon-fon-fon -
e é a fanfarra que eu sigo.
Se o amor é fón fón fón
que se lixe o romantismo!

sexta-feira, agosto 15, 2008

Blow my whistle bitch

Dois mil. Eu e os meus primos juntamo-nos à secção juvenil do Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos e com outros jovens de todo o país fomos ao Rally de Jovens da Federação Internacional de Campismo e Caravanismo (FICC).

Como seria expectável, foi a loucura, não verdade? O acampamento era na Dinamarca e à noite havia uma tenda-discoteca. Ficaram-me na memória inúmeras coisas sui generis, mas há relativamente pouco tempo, uns "boxers futebolísticos" com um apito à frente, lembraram-me esta bela canção que tocava non stop para delírio da multidão. Aqui fica ela para vocês também. (havia um teledisco com a versão do Reino Unido, mas a letra diz "Blow my whistle, baby", o que, convenhamos, lhe tira a credibilidade toda LOL)



domingo, agosto 10, 2008

Plenty

Guru featuring Erykah Badu.
Just listen.


sexta-feira, agosto 08, 2008

Vai tudo abaixo!

Incrível como esta música fica na cabeça...


quinta-feira, agosto 07, 2008

Andanças

O festival de dança da Associação Pé de Xumbo convenceu-me completamente!

Além de ser um festival verdadeiramente ecológico (nada de copos de plástico descartáveis - andava tudo com a "canequinha da moda", em metal, presa por um mosquetão às calças ou carteiras, lixo sempre separado, com saco até para a compostagem, etc.), a variedade de danças e workshops tornou estes dias em algo verdadeiramente desafiador e criativo.

Quero voltar! E tenho imensa vontade de voltar a dançar de novo :))



(Keep your eyes on the hands) Dança havaiana

quarta-feira, agosto 06, 2008

Acontece

Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.

Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.

Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.

Que entrevista espaçosa e especial!

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

sexta-feira, agosto 01, 2008

Pedra Filosofal

Andei anos sem ouvir esta música e ultimamente ela "tem-me aparecido" sem mais nem porquê nos contextos mais inesperados.

Além de Gedeão ser o meu poeta favorito, este poema é-me especialmente querido pelo conteúdo, porque eu acho que é mesmo preciso sonhar, e o poema está muitíssimo bem construído (gosto em especial da enumeração de coisas que são "sonho" - porque tiveram de ser sonhadas e continuam a ser alvo de sonho).
Este poema também me lembra imenso a minha madrinha que cantava estas músicas sempre uma oitava acima abanando a cabeça. É mesmo uma sensação muito vívida, parece que a consigo ouvir e ver nestes momentos.

Enfim, aqui fica o Sr. Manuel Freire a cantar a poesia do Sr. António Gedeão.







Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.


eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.


Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.