"But the attitude of faith is to let go, and become open to truth, whatever it might turn out to be." Allan Watts / "Finish your goddamn plate" Joshua Fields Milburn
quarta-feira, julho 29, 2009
segunda-feira, julho 27, 2009
Vazio
Tenho a sorte de ter alguns amigos muito especiais. E de tratar alguns de entre esses por irmão ou irmã.
Anteontem casou um dos meus manos.
A noiva do meu mano é namorada dele há cerca de 6 meses. Do pouco que a conhecemos (vimo-la uma vez antes do casamento), gostamos dela - bem, eu pelo menos simpatizei muito com a moça.
Já casaram outros elementos do meu núcleo duro, pessoas de capital importância para mim, mas confesso que em nenhum casamento senti a emoção e o aperto de coração que senti no casamento deste mano.
Quero tanto que ele seja feliz, mas ao mesmo tempo não sabemos nada sobre a esposa dele... Apesar de ser eu a mana mais nova, tenho uma vontade de o proteger que não consigo explicar.
E depois ele faz aquele ar feliz ao lado dela e penso: que se lixe, deixa-lo curtir esta felicidade! Ele é advogado e sabe que se pode divorciar...
É que, nem no caso das pessoas que casaram com outras de quem eu simplesmente não gostava, senti este aperto no coração...
É estranho como o desconhecido e a percepção nítida da ausência de controlo que temos nas nossas vidas e nas vidas das pessoas que amamos nos intimida muitas vezes mais que os eventos negativos...
Anteontem casou um dos meus manos.
A noiva do meu mano é namorada dele há cerca de 6 meses. Do pouco que a conhecemos (vimo-la uma vez antes do casamento), gostamos dela - bem, eu pelo menos simpatizei muito com a moça.
Já casaram outros elementos do meu núcleo duro, pessoas de capital importância para mim, mas confesso que em nenhum casamento senti a emoção e o aperto de coração que senti no casamento deste mano.
Quero tanto que ele seja feliz, mas ao mesmo tempo não sabemos nada sobre a esposa dele... Apesar de ser eu a mana mais nova, tenho uma vontade de o proteger que não consigo explicar.
E depois ele faz aquele ar feliz ao lado dela e penso: que se lixe, deixa-lo curtir esta felicidade! Ele é advogado e sabe que se pode divorciar...
É que, nem no caso das pessoas que casaram com outras de quem eu simplesmente não gostava, senti este aperto no coração...
É estranho como o desconhecido e a percepção nítida da ausência de controlo que temos nas nossas vidas e nas vidas das pessoas que amamos nos intimida muitas vezes mais que os eventos negativos...
sábado, julho 18, 2009
Timidez
Não sou uma pessoa tímida.
Por outra, não sou uma pessoa introvertida, que isso de sorrir a estranhos e dizer superficialidades é uma coisa, mas contar as dúvidas existênciais da minha alma e coração são outros quinhentos completamente diferentes. Mas chamemos-lhe timidez, apenas por uma questão de simplificação linguística.
Nas últimas semanas, no entanto, tive por algum motivo (bem, eu sei o motivo) ataques de timidez aguda, incapacitante para fazer as coisas mais inócuas.
Não é uma sensação boa, mas há coisas que eu preciso de me lembrar quando alguém se queixar timidamente dos incómodos que a sua timidez lhe causa:
Por outra, não sou uma pessoa introvertida, que isso de sorrir a estranhos e dizer superficialidades é uma coisa, mas contar as dúvidas existênciais da minha alma e coração são outros quinhentos completamente diferentes. Mas chamemos-lhe timidez, apenas por uma questão de simplificação linguística.
Nas últimas semanas, no entanto, tive por algum motivo (bem, eu sei o motivo) ataques de timidez aguda, incapacitante para fazer as coisas mais inócuas.
Não é uma sensação boa, mas há coisas que eu preciso de me lembrar quando alguém se queixar timidamente dos incómodos que a sua timidez lhe causa:
- A timidez é dolorosa, é querer fazer uma coisa e racionalmente perceber que não tem problema, mas não se ser capaz de a fazer.
- É esperar uma punição por um acto simples, uma punição abstracta mas cheia de vergonha e de repreensão social.
- É dificil uma pessoa queixar-se de timidez. Todas as outras pessoas dizem simplesmente "então porque é que não fizeste? Ah, eu tinha feito", como se fosse a coisa mais natural, simples e óbvia à face da terra
- A timidez é uma profecia que se auto cumpre: a pessoa fala com os outros na defensiva, que por seu turno depois reagem de acordo, confirmando os receios do(a) tímido(a) que se sente "mal acolhido"
- Ser tímido é esmagador. É sentir que haverá sempre alguém a ver quando fizermos uma asneira ou disparate e antever o pior cenário quase sempre.
- A auto-repreensão de "porque é que eu não perguntei?" "porque é que eu não fui" não ajuda lá muito à festa, mas acontece. E depois ainda acresce o ficar a magicar o que teria sido hipoteticamente.
Pergunto-me se me serei capaz de recordar disto da próxima vez que estiver com uma pessoa tímida a conversar sobre o assunto...
segunda-feira, julho 13, 2009
sábado, julho 11, 2009
Don't let them take the fight out of you
No youtube o Ben canta "don't let them take the fight out of you".
Estou habituada a ter de correr, a lutar por aquilo que quero. E a trabalhar e suar as estopinhas para conseguir umas migalhas.
Não me estou a queixar. Não aspiro, não me vejo, não faz o meu estilo que seja de maneira diferente. Gosto de ter de me esforçar. De fazer horas estúpidas de trabalho, de conseguir impossíveis.
A única questão é a paralização mental que me acontece quando consigo o que quero, quando aquilo porque tanto luto se concretiza.
Fico dividida entre a minha identidade de "pessoa que se esforça como o caraças" e "pessoa que conseguiu o que queria".
Tenho um certo medo de me acomodar.
Pela primeira vez em muito tempo, ontem deram-me um grande presente. Disseram-me que eu ia continuar a poder fazer um trabalho que eu considero um privilégio e que iam aumentar as minhas tarefas. Apesar de ser algo que eu desejava muito, há uma parte de mim que está perfeitamente em pânico de desapontar as pessoas que me deram esta possibilidade.
Mas o facto, a realidade principal é que eu não me estou a deixar regozijar antes porque não consigo acreditar ainda que vou mesmo ter o que queria.
Estou habituada a ter de correr, a lutar por aquilo que quero. E a trabalhar e suar as estopinhas para conseguir umas migalhas.
Não me estou a queixar. Não aspiro, não me vejo, não faz o meu estilo que seja de maneira diferente. Gosto de ter de me esforçar. De fazer horas estúpidas de trabalho, de conseguir impossíveis.
A única questão é a paralização mental que me acontece quando consigo o que quero, quando aquilo porque tanto luto se concretiza.
Fico dividida entre a minha identidade de "pessoa que se esforça como o caraças" e "pessoa que conseguiu o que queria".
Tenho um certo medo de me acomodar.
Pela primeira vez em muito tempo, ontem deram-me um grande presente. Disseram-me que eu ia continuar a poder fazer um trabalho que eu considero um privilégio e que iam aumentar as minhas tarefas. Apesar de ser algo que eu desejava muito, há uma parte de mim que está perfeitamente em pânico de desapontar as pessoas que me deram esta possibilidade.
Mas o facto, a realidade principal é que eu não me estou a deixar regozijar antes porque não consigo acreditar ainda que vou mesmo ter o que queria.
weirdest clip video ever
Há coisas que não lembra ao diabo... Além da óbvia trip de ácido, alguém tem alguma pista para este videoclip?... Será que foi realizado pelo David Lynch?
quarta-feira, julho 08, 2009
Já não o amo
No msn temos sempre a mesma conversa de chacha. O tempo, "como é que vai isso? Bem, obrigado e contigo?", etc.
O ritmo da conversa é errático e ambas fazemos outras coisas enquanto falamos de nada. Até ao momento em que pergunto como está a situação com o Bruno.
E de repente, o tu-ru-ru de nova mensagem de msn começa initerrupta e consistentemente a tocar.
O Bruno com quem já não namora, de quem queria ter ficado amiga mas que ele sistematicamente afasta com sms's vagas e mails retóricos, que não foi aos anos dela, que nunca mais teve tempo para um café, o sacana. Sim, ela já não o ama, já não precisa dele. E pensar que lhe deu tanto. E agora aquele ingrato nem para dois dedos de conversa. Nem para um serão. Encontra-se com ela, mas nunca está sozinho, e tem sempre para onde ir. Uma tristeza, uma pena que se quebrem assim as ligações. Uma desilusão tudo isto. Mas ela respeita a decisão dele. São escolhas, não é? Para ela é bastante indiferente. O que lhe custa é perder-se uma amizade assim tão boa. Mas enfim há que respeitar. Agora a vida continua, mas coisas são diferentes. E no fundo percebe que se ele quer o silêncio dela, ela dá-lhe o silêncio dela. Pelo menos quase sempre. Vá, com regularidade...
Quando dou por ela passou meia hora desde que o msn começou a apitar "tu-ru-ru!" ininterruptamente.
Imbuída da minha nova identidade de "psicóloga clínica de vez em quando", digo-lhe da maneira mais simples e desdramatizada possível que para alguém que não dá importância a outra pessoa, basta falar do nome dele que lá desata numa descrição épica e emotiva de tudo quanto seja relacionado com o Bruno e que já se passou mais de uma ano desde que acabaram.
Nega tudo, que disparate o meu. Ela não fala muito sobre ele, eu é que perguntei.
Nega mesmo quando a confronto com o histórico de msn. Diz que se lhe falasse de outro assunto qualquer da sua vida faria exactamente o mesmo e porque raio é que eu não percebo o que ela me quer dizer. Ela não o ama. Sente falta dele. São coisas diferentes. O facto de não ter querido desde então outra pessoa não significa absolutamente nada.
Inocentemente, e porque a situação já se arrasta há vários meses, tento salientar a emocionalidade da resposta ao assunto B. de todas as vezes, tenho argumentar que é o único assunto que a faz mover-se, que a emociona e agita. Que desde que acabaram ainda não parou de tentar contactar o B, que precisa de seguir com a vida dela.
Às vezes sou mesmo tosca.
Apesar do seu mantra após a confrontar ("mas eu já não o amo, a sério, eu já não o amo") ainda vai passar muito tempo até que ela sequer esteja capaz de pensar tranquilamente sobre ele, quanto mais falar de outras coisas ou até deixá-lo partir e falar sobre ele com distanciamento...
O ritmo da conversa é errático e ambas fazemos outras coisas enquanto falamos de nada. Até ao momento em que pergunto como está a situação com o Bruno.
E de repente, o tu-ru-ru de nova mensagem de msn começa initerrupta e consistentemente a tocar.
O Bruno com quem já não namora, de quem queria ter ficado amiga mas que ele sistematicamente afasta com sms's vagas e mails retóricos, que não foi aos anos dela, que nunca mais teve tempo para um café, o sacana. Sim, ela já não o ama, já não precisa dele. E pensar que lhe deu tanto. E agora aquele ingrato nem para dois dedos de conversa. Nem para um serão. Encontra-se com ela, mas nunca está sozinho, e tem sempre para onde ir. Uma tristeza, uma pena que se quebrem assim as ligações. Uma desilusão tudo isto. Mas ela respeita a decisão dele. São escolhas, não é? Para ela é bastante indiferente. O que lhe custa é perder-se uma amizade assim tão boa. Mas enfim há que respeitar. Agora a vida continua, mas coisas são diferentes. E no fundo percebe que se ele quer o silêncio dela, ela dá-lhe o silêncio dela. Pelo menos quase sempre. Vá, com regularidade...
Quando dou por ela passou meia hora desde que o msn começou a apitar "tu-ru-ru!" ininterruptamente.
Imbuída da minha nova identidade de "psicóloga clínica de vez em quando", digo-lhe da maneira mais simples e desdramatizada possível que para alguém que não dá importância a outra pessoa, basta falar do nome dele que lá desata numa descrição épica e emotiva de tudo quanto seja relacionado com o Bruno e que já se passou mais de uma ano desde que acabaram.
Nega tudo, que disparate o meu. Ela não fala muito sobre ele, eu é que perguntei.
Nega mesmo quando a confronto com o histórico de msn. Diz que se lhe falasse de outro assunto qualquer da sua vida faria exactamente o mesmo e porque raio é que eu não percebo o que ela me quer dizer. Ela não o ama. Sente falta dele. São coisas diferentes. O facto de não ter querido desde então outra pessoa não significa absolutamente nada.
Inocentemente, e porque a situação já se arrasta há vários meses, tento salientar a emocionalidade da resposta ao assunto B. de todas as vezes, tenho argumentar que é o único assunto que a faz mover-se, que a emociona e agita. Que desde que acabaram ainda não parou de tentar contactar o B, que precisa de seguir com a vida dela.
Às vezes sou mesmo tosca.
Apesar do seu mantra após a confrontar ("mas eu já não o amo, a sério, eu já não o amo") ainda vai passar muito tempo até que ela sequer esteja capaz de pensar tranquilamente sobre ele, quanto mais falar de outras coisas ou até deixá-lo partir e falar sobre ele com distanciamento...
terça-feira, julho 07, 2009
Das Leben der Anderen
O filme acaba e sinto que levei um embate. Sinto que aconteceu alguma coisa que vai requerer o meu silêncio, a minha reflexão, que eu pare, que eu chore até, por vezes.
Não é fácil explicar.
Vamos sendo envolvidos na teia, devagar, pomo-nos no lugar das personagens. Podemos ou não simpatizar com elas. E depois, sem contarmos acontece a metamorfose e nada do que esperávamos é realmente.
Aconteceu-me no "Alice", no "Into the Wild", no "Thelma and Louise" e agora mesmo no "A vida dos outros".
Bom filme, pá.
Não é fácil explicar.
Vamos sendo envolvidos na teia, devagar, pomo-nos no lugar das personagens. Podemos ou não simpatizar com elas. E depois, sem contarmos acontece a metamorfose e nada do que esperávamos é realmente.
Aconteceu-me no "Alice", no "Into the Wild", no "Thelma and Louise" e agora mesmo no "A vida dos outros".
Bom filme, pá.
segunda-feira, julho 06, 2009
Como é que se amancou o cão?
Sentadas nas cadeiras de plástico, ao sol, estamos em silêncio. Os cães, felizes vêm pedinchar-me festas e colo, ao mesmo tempo que a evitam.
Dá o seu queixume "a mim não me conhecem..." descurando consciente ou inconscientemente que os bichos só lhe fogem porque já conhecem de cor o imprevisível peso da sua bengala no lombo.
"Tadinho do cão, é manco. Como é que se "amancou"?"
"Foi atropelado há uns anos"
"Tadinho. Mais valia que tivesse morrido"
Hesito uns segundos sobre se dou resposta ou não ao comentário que podia ser uma mera provocação, mas não resisto.
"Não diga isso, que o cão é tão feliz. Manca, mas ainda corre e salta mais que o outro".
Novo silêncio.
"Tadinho do cão. É manco. Como é que se "amancou"?"
Com a mesma atitude com que respondo seriamente a todos os "porquês?" que uma criança me faça, volto a responder, no mesmo tom:
"Foi atropelado há uns anos"
Não há resposta da sua parte, só um esboço de um sorriso.
Pergunto-me se apesar da senilidade ainda se lembra que apesar de manco o cão é feliz.
Dá o seu queixume "a mim não me conhecem..." descurando consciente ou inconscientemente que os bichos só lhe fogem porque já conhecem de cor o imprevisível peso da sua bengala no lombo.
"Tadinho do cão, é manco. Como é que se "amancou"?"
"Foi atropelado há uns anos"
"Tadinho. Mais valia que tivesse morrido"
Hesito uns segundos sobre se dou resposta ou não ao comentário que podia ser uma mera provocação, mas não resisto.
"Não diga isso, que o cão é tão feliz. Manca, mas ainda corre e salta mais que o outro".
Novo silêncio.
"Tadinho do cão. É manco. Como é que se "amancou"?"
Com a mesma atitude com que respondo seriamente a todos os "porquês?" que uma criança me faça, volto a responder, no mesmo tom:
"Foi atropelado há uns anos"
Não há resposta da sua parte, só um esboço de um sorriso.
Pergunto-me se apesar da senilidade ainda se lembra que apesar de manco o cão é feliz.
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